Escrevemos porque…

Panela de pressão

Sabe… O que eu mais gostaria de ver no mundo seria a pressão social de seguir caminhos já traçados jogada por água abaixo. Acho que isso tem muito a ver com o nosso sistema socioeconômico atual e, inclusive não acredito nesse meu desejo no cenário atual em que o capital fala mais alto do que o pensamento e a opinião de cada um. Eu sinto falta mesmo é de sermos livres, a liberdade de escolhas desde quando nos entendemos por gente não existe em sua plenitude. Por que não uma escola que, além de ensinar as leis que regem o mundo, dê a possibilidade da criança descobrir através de experimentações o que ela quer? Hoje, crianças vão à escola para serem condicionadas a viver em um mundo que valoriza a pessoa através de números de seus resultados alcançados. Tá, não vejo problemas em avaliar as pessoas pelos resultados que elas alcançam, entretanto, o que vejo de errado são os caminhos que foram utilizados para chegar em tais números. Como provas, provas, e mais provas de conhecimento teórico podem dizer que uma pessoa é melhor que a outra? Existe, de fato, alguém melhor que alguém neste nosso mundo? A verdade é que todos passam toda uma vida acadêmica com pouquíssimo conhecimento prático adquirido, e chegam no final em busca dessa prática que nunca existiu.
Além disso tudo, há aqueles que não têm as mesmas oportunidades que as pessoas que são consideradas “exemplo”. E esses são, no Brasil, a grande maioria. A minoria é responsável por gerar tecnologias, políticas públicas, leis e muito mais para uma maioria que não é representada. Essa minoria acredita que estão fazendo o certo e não buscam procurar saber o que a maioria quer, muitas vezes, simplesmente pelo fato de haver descrença que o conhecimento acadêmico é superior ao conhecimento de rua adquirido pela maioria. Aí entra a vaidade, os diferentes tipos de conhecimento são classificados em uma escala em que um conhecimento torna-se superior ao outro. Seria isso verdade? Não concordo com a colocação de um conhecimento sobre o outro, porém, não entrarei no mérito da discussão sociológica que isso representa.
Enfim, voltarei ao pensamento a respeito das pressões sociais. Hoje, tenho a pressão social de me graduar em engenharia. É o que eu quero? Não sei. Mas tenho que focar em alguma coisa e é isso que eu escolhi para tal. No entanto, acredito que todos têm seu tempo para atingir mesmos patamares de conhecimento acadêmico adquirido. E a pessoa que não consegue acompanhar a velocidade definida pelo sistema, é esmagada por ele. Essa pessoa fica sozinha para trás e, mesmo seus amigos que poderiam ajudá-la, não podem abrir mão do pouco tempo que têm para não ficarem também para trás nessa maratona do “conhecimento”. Uma maratona regida por horas seguidas de aulas expositórias de professores que só estão ali porque precisam lecionar para garantir suas pesquisas, seus artigos científicos, seu prestígio social perante a sociedade acadêmica. A carência de didática grita em salas de aula lotadas de alunos sedentos por conhecimento, mas o escudo ideológico acadêmico nos impede de escutar esse grito de desespero.

20131022-151837

Então, o que acontece com quem questiona essa pressão de não seguir no mesmo ritmo do pré-definido? Essa pessoa vai refletir e entender que a graduação é um momento da vida que deve ser aproveitado de maneira completa, e não apenas números a serem atingidos em busca de um diploma o mais breve possível. O pior fica na cabeça do questionador. É difícil encontrar apoiadores às suas ideias. O questionador busca outros meios de convivência e, muitas vezes, percebe que o meio que ele se inseriu não é um meio que permite o ato de questionar. Não há tempo para questionar quando se busca atingir patamares “superiores” de conhecimento. Ainda assim, ele acredita na causa e continua com sua missão de fazer a graduação que escolheu como meta. E busca meios alternativos que sua mente possa descansar e ser criativa para longe de pressões sociais. Aí entra a percepção que já houve um momento da vida que, em grande maioria, pressões sociais demasiadas eram inexistentes. A infância.
Ser criança é aquele negócio de experimentar tudo ao seu redor em busca de novas descobertas, tudo é novo. O novo é atrativo, e o que atrativo promove um conhecimento único. Após nossos vários anos de condicionamento acadêmico-mirim somos empurrados a perder a vontade pelo novo, porque nos convencem de que já sabemos tudo o que precisamos e o resto de conhecimento que não sabemos está na academia, na graduação. Logo, precisamos focar em graduar, arrumar um emprego estável e coisas desse tipo. Por que não manter parte desse instinto infantil dentro de nós para estarmos sempre explorando o novo? Porque é difícil e dá muito mais trabalho questionar e experimentar do que seguir regras já definidas. Porque o ato infracional é criminoso e deve ser punido severamente. Mas como inventar sem infracionar? Seria isso possível? Há quem diga que sim, mas essa pessoa também nunca inventou.

E daqui a poucos dias as aulas recomeçam, a pressão aumentará. Qual será a válvula de escape para aguentar o dia-a-dia?

d91124d2-414d-42e5-8450-8c4a583dfe4f

O Inventor

A hora de partir

Hoje, o Brasil tem pouco mais de 205 milhões de habitantes*. E o número de habitantes brasileiros cresce a cada 19 segundos*, ou seja, a cada 19 segundos temos um novo brasileiro em nosso território. Porém, também perdemos muitas pessoas no nosso dia-a-dia. De acordo com o IBGE, no ano de 2015, a taxa bruta de mortalidade por mil habitantes foi de 6,08. Ao considerarmos uma população de 205 milhões de habitantes, temos que, em 2015, 1.246.400 pessoas morreram no Brasil devido as mais diversas razões. Sem querer entrar no mérito dos nossos altíssimos índices de mortes decorrentes de atos violentos, acidentes de trânsito, e demais causas evitáveis, podemos dizer que esse é um número alto. Em todo o mundo, morrem, aproximadamente, 56 milhões de pessoas por ano. É, muita gente deixa nossa planeta todos os anos.

 

Então, o que falar sobre a morte? Tudo é cultural, são inúmeras as maneiras que o ser humano lida com a morte. Minha relação com a morte está sempre voltada à tristeza, e acredito que a maioria da população mundial também, principalmente, quando falamos de mortes por causas evitáveis.

 

Há muito tempo não passava por essa situação. Alguém relativamente próximo morrer. A mãe de uma amiga faleceu há alguns dias. Todos nós já sabíamos que ela não estava bem de saúde, ainda assim, abrir o facebook naquele dia de manhã e descobrir que um dos seus melhores amigos perdeu a mãe, não é fácil.

 

Sempre foram uma família muito unida e alegre. Os conheci em 2009, e de lá pra cá toda a família fez parte de momentos muito importantes da minha vida. Festas de aniversário que eles estavam sempre presentes, encontros periódicos na casa deles só pra trocar ideia, e por aí vai. A mãe deles sempre esteve presente, sempre muito alegre. De uns anos pra cá nos afastamos devido às atividades da vida de cada um. O mais estranho disso tudo é pensar que não será mais assim.

 

São duas irmãs e um irmão. A irmã mais velha foi, durante um bom tempo, a minha melhor amiga, fomos irmãos durante esse tempo. O irmão também é amigo meu, conversamos muito, mas ele fala menos da vida. Então, aconteceu. Comunicamos nosso círculo de amizade e fomos para o velório. Nada fácil, muita tristeza. Por outro lado, foi o momento que encontramos com muita gente que não víamos há tempos. Nessas horas o comparecimento é pra ajudar os que ficam.

 

Ela foi embora e deixou a família pra trás, inclusive a sua mãe, avó dos meninos, que ainda está viva. Acredito que nesse tempo de luta contra o câncer que ela passou, toda a família conversou muito sobre o assunto. E, querendo ou não, houve uma certa preparação para quando esse momento final chegasse. Então, a dor e a dificuldade é realmente pra quem fica. Para ela, o sofrimento acabou.

 

Em meio ao contato com essa situação de fim da vida, paro e penso. Dezenas de milhões de pessoas morem todos os anos em todo o mundo. Só no Brasil é mais de um milhão de mortes por ano, como lidar com isso tudo? Precisamos ter fé em algo superior mesmo, não dá para simplesmente superar esse tipo de situação da noite pro dia. E sempre lembro de um professor que um dia disse em sala de aula que ele tinha assistido um belo filme sobre a morte. O longo filme tinha como história a morte de uma única pessoa e todas as consequências que tal morte ocasionou nos arredores. O quanto a vida de familiares muda após o falecimento de um ente querido, o quanto amigos mudam de atitudes. Após assistir tal filme, meu professor mudou de canal na televisão e se deparou com um daqueles filmes de ação em que uma única explosão mata centenas de pessoas em poucos segundos. Seria uma morte mais importante que a outra? Até onde vai essa relativização da morte de um indivíduo? E aí fica a reflexão, tantas pessoas morrem a cada momento no mundo, imagine o efeito dessas para as pessoas que ficam.

 

A banalização da violência é algo muito maluco, que se pararmos para pensar, só gera tristeza. Quando alguém arrisca a própria vida, essa pessoa está colocando em cheque o futuro de todos ao seu redor, uma atitude um tanto quanto egoísta. No geral, a vida segue, e quem tem que fazer a vida valer a pena somos nós, agora.

 

O Inventor
*Dados IBGE
Taxa bruta de natalidade: http://goo.gl/jb3hlK
Taxa bruta de mortalidade: http://goo.gl/QxicO6
Dados gerais da população brasileira: http://goo.gl/wIyeCR
Causas de morte no mundo: http://goo.gl/dmk89O

Vazio

Depois de uma maratona vem o vazio. O vazio que me diz estar errado estar parado, está errado não produzir. Preciso continuar correndo. Mas para onde? Não importa, minha cabeça só pensa em produzir. Mas o quê? Também não sei. Ao mesmo tempo que quero tudo, não quero nada.

 

Acho que isso acontece com muita gente depois de ficar um período relativamente longo com a cabeça ocupada e, quando você pensa que não, bate a meta. Chegou no final daquela corrida. E agora? Descansar? Não. Se eu fiz tanta coisa nesse tempo que passou, eu preciso continuar fazendo para chegar ainda mais longe. O problema é quando não há direcionamento, empolgação, e só resta cansaço físico e psicológico depois de tal maratona.

 

Ligo a televisão, nada parece ser capaz de encher o vazio. A saudade daquela paixão platônica juvenil vem à tona “ela nunca te deu moral garoto, deixa pra lá” essa é a razão dizendo o que fazer. “O que? Você não pode deixá-la escapar assim, foi sempre o seu sonho estar com ela. Não pode desistir” e essa é a emoção. É… a emoção tá me deixando meio louco, acho melhor deixá-la de lado e seguir com a razão. Porque já me esforcei demais por essa paixão que já passou da hora de ser esquecida. Vou lá pra fora tirar umas fotos da vida.

 

Me enchi de vazio depois de tanto caminho
Cruzei a chegada de mais uma etapa
O que isso quer dizer?
Só o tempo para saber

 

Me esvaziei de razão
Não o devia ter feito
Me lembrei de uma velha paixão
Será que eu ainda posso ser aceito?

 

Dei liberdade à emoção
Não poderia dar certo
Sempre foi tudo tão idealizado
Mas eu só queria tê-la por perto

 

Razão e emoção me levam à loucura
Ai! É melhor esquecer
E no final das contas eu só queria escrever
O Inventor

Um pouco de um todo

Noite
Muito penso sobre tudo. Imagens me ajudam a congelar momentos, daí a paixão pela fotografia. Paixão pela maneira como uma fotografia é capaz de te fazer lembrar momentos que não estão na imagem em si, mas te levaram a capturá-la. São desses momentos que mais tenho saudade. Saudade de momentos que não estão registrados em imagens mas foram promotores de tais. Sem esses momentos eu não tiraria aquela foto do passarinho que ela me disse que estava na árvore, ou aquela ali, de uma flor descoberta por culpa de um semáforo que resolveu me impedir de atravessar a rua, mas me possibilitou apreciar aquele cantinho esquecido na calçada.

 

Um ano morando longe da família. Por alguns momentos me perdi ao chamar tantos lugares de “casa”. Nesse tempo, morar em tantos lugares me fez aproveitar cada caminho para “casa” de uma maneira única. Meus últimos meses longe da família foi marcado por um caminho diário muito específico. Muito aconteceu por essas ruas que passei todos os dias indo ao trabalho. As vezes só de pensar em algumas partes desse caminho eu já me sinto mais tranquilo. Acho que aquela região foi a mais legal que eu morei. Foi a mais legal porque tinham as pessoas mais legais, é claro. A minha saudade não é de um lugar, e sim, das circunstâncias que permitiram aquele ser um lugar único no espaço, no tempo, no sentimento, e em tantos outros parâmetros que não voltarão a existir. Só tenho a agradecer pela singularidade de tantas situações.

 

A noite sempre me faz pensar, e eu gosto do ritmo da madrugada. A rua parece mais rua. Detalhes que passam despercebidos ao longo de dias ensolarados saltam à nossa vista em silêncio absoluto. Tudo está mais devagar, pessoas descansam em suas casas enquanto a rua tem, também, seu momento de trégua. A menor quantidade de automóveis e seres permite a rua se recuperar do estresse diário. Acho que caminhar na madrugada é conhecer o ambiente da maneira que ele é. Nu, muitas vezes sem cor, e puro por si só. A tristeza, a melancolia, e a nostalgia que a noite traz é, pra mim, muitas vezes, criativa.

 

Muito estamos acostumados a viver na alta energia proporcionada pelo Sol batendo em nosso rosto, mas nada é a felicidade que o Sol nos traz sem o contraste que a falta dele, durante as noites, permite. O que seria da alegria sem a tristeza? Nada além de um sentimento comum. O que é conhecer alguém por completo? Acredito que seja presenciar a pessoa na felicidade e na adversidade. Pois minha ideia é sempre presenciar o ambiente por completo, o dia é o comum, vamos fazer o diferente, e presenciá-lo na noite. Viver do outro lado do mundo me permitiu caminhar por ruas escuras sem medo, e enxergar o que não via no decorrer de um longo dia.

 

Ver o Sol se pôr e nascer no mesmo espaço, apenas por uma variação no tempo? Aproveitar o primeiro minuto de noite até o seu último. Quando o Sol aparecer, olhar para trás no tempo e ver que a noite pode, também, ser aproveitada usando toda a energia que armazenamos ao longo de muitas descargas de energia solares.

 

Por mais noites e dias de reflexão e criação.
O Inventor

New life, new posts…

Hello to all my dear readers from this blog which, before this post, seemed to be abandoned by its writers. Nevertheless here I am right now trying to make something out of my new way of life – living abroad in the the other side of the planet. Oh… this is our first post in english, so good luck for us and for whoever is trying to get use to our english.

Today I just wanna talk about some random ideas there are storming in my mind at this moment. So, as I wrote a few lines above, I’m inserted in a completely different culture comparing to my dear Brasil where I never told I was from but it was obvious due to our subjects and our usual language in this blog. Anyway, I have another blog which I’m sharing some specific experiences about this new life and here, at this sort of anonymous blog, I want to reflect about this experiences in another way. While I think how this “another way” will be… I’m writing to keep this blog, at least, a little bit closer to be an up to date blog. =P

During my posts you have probably realized that in my life I have always shown interest in creating, developing and innovating. So, my conclusion was to try to be an engineer. However, nowadays I’m not sure about if this is the way of being creative and even after 3 years in engineering area of studies I still don’t know what I should do. Thinking about my future…

Saudade is a word in portuguese which, as far as I know, there is no literal translation to english and one of the closest meanings to “saudade” you can find online is something like:

Deep emotional state of nostalgic or profound melancholic longing for an absent something or someone that one loves.

This word carries a deep meaning for every portuguese speaker even though they don’t realize. It describes the feeling exactly how it is. Not only missing someone, but feeling you are missing someone. You are probably asking yourself why I am talking about this word. Text of random ideas. I believe this is a good way of starting a english post in a brazilian blog. And I’m also “with” saudade of some people and stuff from my hometown.

Picture from: Blog Duolingo

Picture from: Blog Duolingo

Due to my “new life”, the past couple of weeks I have been struggling with the paradox of living and/or recording. When you are travelling or living different situtations from your routine you usually gets worried about recording these experiences to the future. Which should I choose? Record a memory to the future using my camera or live the moment without worrying about how I will remember those moments? I’d say I have found my answer… and that is: find the “perfect” balance between both options.

I may haven’t talked enough about this idea and it still might be not clear what I mean with that. However this is something that used to bother me and after some studies I could understand it better through talking to people and watching some videos. So theses videos below are what made me reflect a little bit more about this random idea.

Hope these videos can make you reflect about this “random idea” too.

Before leaving this post for your enjoyment I want to chalenge my great friend O Mensageiro to express his thoughts about some of these ideas and his own ideas in post here. Let’s put this blog once again in action my friend! And now in english!

The Inventor

A pintura heróica

Um muro branco não diz nada
O importante não é a cor
O importante é a caminhada
O produto é um muro pintado
E o processo é o aprendizado

Quarenta metros estavam vazios
A chuva inundava o ambiente
De liberdade e frio

Um jato de spray atravessa o ar
Toca a parede
Tudo começa a mudar

Círculos e linhas comunicam a união
Duas pinturas se tornam uma só
Passado e presente, não há distinção

Fogo, brilho e fumaça
A chuva se assusta junto com quem passa
E mesmo que isso tudo não te atinja
Essa foi uma intervenção
Tudo coordenado pelo tal de ninja

image

       O Inventor

Detalhes fazem a diferença

Cinco amigos resolvem se encontrar no final da noite na praça de alimentação de um centro de compras (vulgo: shopping center) para jogar conversa fora e falar da vida. Os amigos:

O desiludido com sua vida amorosa,
O fanático por futebol,
O artista agitado,
O gordinho humorista,
E eu, um pouco de cada um e ainda preocupado com as mazelas sociais desse nosso Brasil.

Os amigos pedem uma clássica porção de carne e batatas fritas para matar quem os estava matando. Alguns chopps acompanham o menu da noite para afogar as mágoas ou relaxarem.

Todos comiam e bebiam, exceto eu – já tinha me alimentado e hidratado suficientemente bem antes desse encontro inesperado com a galera.

Dessa forma, me restou a conversa e a interação com os amigos famintos e “desidratados de álcool”. Do futebol à arte, as batatas foram desaparecendo até sobrarem somente os assuntos. Digo, os chopps… e os assuntos.

Os chopps acabaram. E restaram… os assuntos – pra mim sempre foram os assuntos, já que eu não tinha nem um copo d’água sequer. Ahh… e o lixo. “Como posso me esquecer do lixo?” Pois é, também sobrava lixo naquela mesa de praça de alimentação.

image

Então, o shopping estava fechando e os assuntos se acabando. E quem continuava ali? Isso! O lixo… os copos, talheres, pratos, bandeja, guardanapos e palitinhos continuavam ali. Não os consumimos (e eu nem faço questão, até mesmo porque já estava satisfeito desde antes desse encontro com a galera).

De repente, o último gole de chopp desce pela goela da garganta de um dos amigos e todos eles percebem que está na hora de partir. Então, levantam e deixam a mesa.
Eu estou no centro da praça de alimentação observando ao meu redor aquele momento com os amigos legais e divertidos. Eu olho para um lado e vejo metade deles caminhando rumo à saída e outra metade, mais lenta, ainda próxima à mesa. Observo a mesa, vejo sujeira e bagunça onde, antes, estavam alimentos enchendo estômagos dos amigos famintos. Aguardo a ação de limpeza por parte do desiludido e do humorista, mas nada acontece. Olho no horizonte – limitadíssimo por escadas rolantes, restaurantes e lojas fechadas – em busca do fanático e do artista agitado, já se foram.
Segundos se transformaram em minutos enquanto eu tentava entender “Por que eles não retiraram aquele lixo que eles mesmos haviam produzido?”. Pergunto ao desiludido “Ué mano… vocês não vão limpar aquela bagunça da mesa não?” a resposta, “Relaxa, alguém vai limpar isso aí. Vamos embora.” Fico para trás ainda observando por alguns segundos-minutos, incrédulo, aquilo que eu sempre condeno, falta de respeito. “Deveria eu, tomar atitude de limpar aquilo que nem sequer ajudei a sujar?”. Busco com o olhar o “alguém que vai limpar isso aí”, mas nada me vem à retina além de um segurança ansioso para nos ver fora daquele lugar.

Deixo o local e o lixo para trás. Junto-me aos amigos agora alimentados e “hidratados”, porém carentes de respeito e educação para melhorarem nosso Brasil aos poucos e nos detalhes.
Esses são os mesmos amigos que há 1 ano estavam nas ruas pedindo um Brasil melhor junto com outras milhares de pessoas que não se preocupam com o próprio lixo produzido já que “alguém vai limpar isso aí”. Espero que um dia as mesas de praças de alimentação do nosso Brasil sejam mais bem tratadas por quem as utiliza.

coletora de lixo

 

     O Inventor.